Embora pareça muito diferente de tudo o que se defende hoje em dia (principalmente no que se diz respeito ao trabalho em grupo), estudos recentes afirmam que, de fato, a introversão pode ser considerada um fator positivo para a criatividade e inovação. É o que garante Susan Cain no livro “Quiet: The power of introverts in a world that can’t stop talking” – em português, algo como “Silêncio: o poder dos introvertidos em um mundo que não para de falar”.

 

A vez dos tímidos

 

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Vencendo a timidez: o poder dos introvertidos

Você certamente conhece alguém que, na família, sala de aula ou mesmo na empresa parece estar sempre “curtindo o seu mundinho em silêncio” e essas pessoas não raramente são alvo até de piadas e de olhares discriminatórios (algo entre 30% e 50% de pessoas de uma sociedade são discriminadas).

Quiet desperta a consciência justamente para o quanto se perde ao subestimar as pessoas mais introvertidas e mais, levanta ainda uma importante questão: o desenvolvimento de talentos. 

O fato é que, se soubéssemos das contribuições da instrospecção, poderíamos até incentivar a criação de ambientes mais propícios para a inovação. Sim! No entanto, é claro que deve haver sempre um equilíbrio, mas convenhamos: um momento a sós às vezes nos cai bem (e não tenha vergonha de assumir isso!).

Portanto, se você é uma dessas pessoas que preferem ficar quietas (ao invés de se promover a todo momento), se vê altamente disciplinada e também é extremamente focada em resultados, não se sinta como um estranho ao adotar esse comportamento. Saiba que hoje já é possível utilizar a timidez a seu favor.

 

Você se considera tímido ou extrovertido?

 

Segundo Carl Jung os dois termos são a própria definição de uma personalidade que influenciará a maneira como você vive, se relaciona e de maneira geral tudo mais o que você fizer.

Para Cain a melhor forma de responder a essa pergunta é analisar a maneira como as pessoas respondem aos estímulos:

 

Os introvertidos se sentem mais vivos, com mais energia e envolvidos com a atividade que realizam quando estão em ambientes tranquilos. Os extrovertidos, ao contrário, anseiam por ser estimulados e, quando não obtêm incentivos suficientes, começam a ficar entediados e infelizes.

A autora defende ainda que um dos maiores erros que cometemos hoje em dia é definir os tímidos como antissociais.

Eles simplesmente são diferentes; preferem tomar alguma coisa com um amigo em vez de ir a uma grande festa. 

Portanto, é preciso antes de mais nada ignorar o estereótipo do “extrovertido ideal” que muitas vezes acaba servindo como um padrão a ser seguido. Acredite: esse ideal social só favorece as pessoas que são naturalmente carismáticas e que se sentem a vontade sendo o centro das atenções em qualquer ambiente.

 

Como os tímidos lideram?

 

É muito menos provável que um tímido se candidate a uma vaga de liderança, no entanto, segundo a autora, isso não quer dizer que uma pessoa calada não pode ser poderosa ou obter êxito em sua gestão ou nova posição social.

Esse é o caso dos tímidos que conseguem ascender a posições de liderança (dentro e fora do ambiente de trabalho). Um estudo da Wharton University descobriu que líderes retraídos obtêm mais de seus funcionários porque tendem a lhes dar mais autonomia para pôr em prática suas ideias, enquanto os extrovertidos geralmente costumam imprimir a sua marca em cada nova iniciativa.

Essa teoria pode ser ainda alinhada à ideia de Jim Collins em Good to Great: Empresas feitas para vencer (ed. Campus/Elsevier), quando o autor identifica os “líderes de nível 5” como um fator das empresas bem sucedidas. As pessoas que trabalharam com esses líderes as descreveram como calados, humildes, reservados, tímidos, engraçados, afáveis, honestos, ou seja, pessoas facilmente subestimadas.

 

O poder dos tímidos

 

Quando se trata de inovação e criatividade a adesão ao “extrovertido ideal” talvez esteja criando um dano significativo para as empresas: “psicólogos descobriram que as pessoas mais criativas tendem a ser retraídas. Elas precisam passar um tempo em solidão para pensar e criar por si mesmas. No entanto, as escolas e organizações, em vez de respeitar isso, pioram as coisas ao não dar a privacidade e autonomia a ninguém”.

E já que estamos falando de inovação, embora talvez você ainda não saiba, algumas pessoas tímidas foram responsáveis por grandes conquistas e feitos que hoje são tidas como referências: Darwin e a teoria da evolução, Van Gogh e suas obras, Einstein e a teoria da relatividade, entre muitos outros.

Boa parte dos líderes transformadores também foram pessoas introvertidas (e nem por isso deixaram de ter menos destaque). Esse foi o caso de Roosevelt, Gandhi.

Assim, acredite: sua timidez também pode fazer com que você dê o melhor de si!

 


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Bacharel em Administração com ênfase em Marketing, especialista em Marketing (MBA em Vendas & Trade Marketing) com larga experiência, atuando no desenvolvimento de marcas, produtos e serviços, gerenciamento de projetos offline e projetos digitais. Presta consultoria na área de marketing, marketing digital e inovação, lecionando como professora convidada em cursos de graduação e MBA. Atuou como BizDev e Curadora de Projetos na Associação Brasileira de Startups (ABStartups) participando diretamente das edições do programa de acesso ao mercado Pitch Corporate (nas verticais Exportação, Educação, in-company), Pitch Gov SP, primeiro programa da América Latina em parceria com o Governo do Estado de São Paulo e da Conferência Anual de Startups e Empreendedorismo (CASE), maior evento da América Latina neste segmento. Atualmente é Sub - Coordenadora do Comitê de Comunidades também na Associação Brasileira de Startups (ABStartups). Sócia da 4 Legacy Ventures, fundadora do Startup Sorocaba e empreendedora digital, já criou inúmeros projetos digitais e contribuiu para o desenvolvimento de outros, tendo sido também parte da equipe de algumas startups. É uma das organizadoras do Google Business Group Sorocaba, atuando diretamente como manager do Google Business Group Women, além de embaixadora de alguns projetos nacionais e internacionais na área de empreendedorismo e tecnologia (como o Technovation Challenge). Já desenvolveu atividades na Campus Party 2015, ministrou palestras e cursos sobre empreendedorismo, empreendedorismo digital e startups. Foi curadora da arena “Tech4Teens” na Virada Empreendedora 2016, mentora convidada do Comitê Acelera da FIESP, Inovativa e de programas voltados para startups onde também já integrou bancas de jurados, avaliando projetos inovadores. É Community Manager da Techstars (uma das maiores aceleradoras do mundo) e Membro do Comitê da Rede Global de Empreendedorismo, atuando como uma das líderes locais em Sorocaba. Autora de dois livros pela Câmara Brasileira do Jovem Escritor, poetisa e aventureira nas horas vagas.