Startups e grandes corporações, bem como o próprio governo devem se aproximar cada vez mais para inovar. E o Brasil tem dado passos significativos avançando rumo às primeiras discussões, projetos e políticas públicas de incentivo. 

 

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Startups e grandes corporações devem se aproximar cada vez mais para inovar

 

Já não é mais novidade o crescente número de startups que surge a cada ano e o valor que movimentam, impulsionando a economia do país, no entanto, há quem ainda não percebeu a grande oportunidade que essas empresas tidas como “pequenas” têm em suas mãos e em seus portfólios.

A abertura para esse relacionamento pode se iniciar pelo rompimento de algumas barreiras culturais (e porque não dizer “sócio-econômicas”) em relação aos dois lados. É preciso compreender que startups não são empresas que vendem inovação por um preço mais barato (a menos que a própria startup se posicione desta forma) e por outro lado que as grandes corporações ainda são como aquelas do século passado – pouco abertas à discussões neste sentido. O contexto, as necessidades e às respostas a essas necessidades hoje são outras.

 

Pitch GOV SP

 

Tive a grande oportunidade de participar da equipe responsável por um dos projetos pioneiros na América Latina – Pitch GOV SP -, cujo objetivo foi o de aproximar startups do governo. O projeto foi realizado em uma parceria do Governo do Estado de SP e da Associação Brasileira de Startups

Durante todo o processo os dois lados se demonstraram dispostos a contribuir mutuamente para que alguns dos trinta e cinco desafios relacionados às áreas de saúde, educação e facilidades ao cidadão pudessem ser solucionados. Recebemos 304 projetos e 15 foram selecionados e puderam expor suas ideias para as secretarias responsáveis por cada área e convidados em evento realizado no dia 17/novembro, no Palácio dos Bandeirantes – sede do governo do Estado de São Paulo.

 

Startup Sorocaba: as 15 startups selecionadas puderam fazer seus pitches para um público de quase 700 pessoas

Startup Sorocaba: as 15 startups selecionadas puderam fazer seus pitches para um público de quase 700 pessoas

 

Startup Sorocaba: Pitch GOV SP - O Governador Geraldo Alckmin fala sobre a importância do projeto (foto: A2img / Ciete Silvério)

Startup Sorocaba: Pitch GOV SP – O Governador Geraldo Alckmin fala sobre a importância do projeto (foto: A2img / Ciete Silvério)

 

Startup Sorocaba: Pitch GOV SP banca de convidados (foto: A2img / Ciete Silvério)

Startup Sorocaba: Pitch GOV SP banca de convidados (foto: A2img / Ciete Silvério)

 

Startup Sorocaba: Pitch GOV SP - o evento reuniu empreendedores, investidores e outros agentes do ecossistema (foto: A2img / Ciete Silvério)

Startup Sorocaba: Pitch GOV SP – o evento reuniu empreendedores, investidores e outros agentes do ecossistema (foto: A2img / Ciete Silvério)

 

Cerimônia de premiação do Pitch Gov

Startup Sorocaba: Pitch GOV SP – empreendedores das 15 startups selecionadas (foto: A2img / Ciete Silvério)

 

Os desafios de inovar na gestão pública

 

Acredito que o maior desafio (já aceito por ambos) é o da própria co-criação, uma vez que, por se tratarem de demandas muito específicas não foi possível encontrar nenhuma “solução pronta” no mercado, mas sim empresas e equipes dispostas a adaptar suas soluções para atendimento ao Governo. Todas as 15 startups selecionadas testarão suas solução junto ao governo em ambiente de teste.

Mas, qual a real vantagem para os dois lados, diante dessa situação?

Por inovar os dois lados, o país, os beneficiados, a população em geral ganha. É ver a tecnologia aplicada à melhoria de vida das pessoas e os benefícios traduzidos em forma de aumento da longevidade da população, elevação do nível da educação, redução de custos, etc. Por outro lado, para as startups essa pode ser a chance de dar real escalabilidade ao seu negócio. Dessa forma, os dois lados devem se ver como aliados (é claro que sabemos que alguns pormenores nessa relação ainda não estão muito bem resolvidos, no entanto, a abertura que foi dada já é um começo para colocá-los em pauta). 

Essa relação é uma novidade para os dois lados, mas esperamos em breve ver replicado aqui, o mesmo sucesso do modelo realizado em outros países a exemplo de Barcelona (Espanha) que através do projeto Barcelona Open Challenge permitiu que as startups e empreendedores  propusessem suas soluções inovadoras para transformar a cidade em uma Smart City

Outros exemplos bem interessantes são o de Amsterdã, capital da Holanda, que tem um CTO, ou seja, um responsável por identificar demandas e apoiar projetos inovadores na cidade e o Reino Unido (vide Tech City), país que entendeu que a consolidação de uma economia baseada no conhecimento, depende prioritariamente de empreendedorismo tecnológico. E daí para a aliança com as startups foi um passo, já que estamos falando de empresas dinâmicas e que geralmente pensam em produtos disruptivos e de alcance global. Mas vale a ressalva de que além de criar e incentivar novos hubs tecnológicos é preciso encarar as startups como potenciais fornecedoras do próprio governo. 

Já falamos aqui no Startup Sorocaba, em outros posts, sobre a importância da proximidade de todos os agentes do ecossistema (se você ainda não leu, aproveite para colocar a leitura em dia, lendo este artigo e este também). A inovação precisa ser o elo entre empreendedores, universidades, governo, investidores. Sabemos quão difícil é integrar esses grupos, mas é preciso criar uma relação mais próxima e duradoura, em busca de um objetivo comum.

 

A relação startups x grandes corporações

 

Não a toa temos visto o aumento de competições e ou de chamamentos públicos para resolução dos desafios corporativos. Empresas como Brasken, Porto Seguro, Tecnisa são apenas alguns exemplos que recorreram às startups em busca de soluções tecnológicas e de respostas rápidas. Termos como Corporate Venture e mesmo aceleração corporativa também estão se tornando recorrentes, comprovando que, de fato, há muito o que se ganhar nessa aproximação e integração.

Entretanto, é preciso ter claro desde o início que essa é uma relação que deve ser caracterizada pelo ganha-ganha. As grandes corporações que quiserem co-criar ou mesmo adquirir soluções das startups precisam enxergá-las e respeitá-las também como empresas que poderão ajudá-las a inovar  – e isso independentemente do seu tamanho e “tempo de vida”. Por outro lado, as startups, geralmente por seus empreendedores representadas, devem se posicionar como tal, sendo profissionais no trato e nas negociações.

Aqui no Brasil já contamos inclusive com alguns cases, resultado desses eventos, comprovando que, de fato, todos ganham com a implementação da tecnologia no solucionamento de problemas reais. E acreditem: continuaremos a ver resultados incríveis advindos dessa nova tendência por aqui. Esse é apenas o começo!

 


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Bacharel em Administração com ênfase em Marketing, especialista em Marketing (MBA em Vendas & Trade Marketing) com larga experiência, atuando no desenvolvimento de marcas, produtos e serviços, gerenciamento de projetos offline e projetos digitais. Presta consultoria na área de marketing, marketing digital e inovação, lecionando como professora convidada em cursos de graduação e MBA. Atuou como BizDev e Curadora de Projetos na Associação Brasileira de Startups (ABStartups) participando diretamente das edições do programa de acesso ao mercado Pitch Corporate (nas verticais Exportação, Educação, in-company), Pitch Gov SP, primeiro programa da América Latina em parceria com o Governo do Estado de São Paulo e da Conferência Anual de Startups e Empreendedorismo (CASE), maior evento da América Latina neste segmento. Atualmente é Sub - Coordenadora do Comitê de Comunidades também na Associação Brasileira de Startups (ABStartups). Sócia da 4 Legacy Ventures, fundadora do Startup Sorocaba e empreendedora digital, já criou inúmeros projetos digitais e contribuiu para o desenvolvimento de outros, tendo sido também parte da equipe de algumas startups. É uma das organizadoras do Google Business Group Sorocaba, atuando diretamente como manager do Google Business Group Women, além de embaixadora de alguns projetos nacionais e internacionais na área de empreendedorismo e tecnologia (como o Technovation Challenge). Já desenvolveu atividades na Campus Party 2015, ministrou palestras e cursos sobre empreendedorismo, empreendedorismo digital e startups. Foi curadora da arena “Tech4Teens” na Virada Empreendedora 2016, mentora convidada do Comitê Acelera da FIESP, Inovativa e de programas voltados para startups onde também já integrou bancas de jurados, avaliando projetos inovadores. É Community Manager da Techstars (uma das maiores aceleradoras do mundo) e Membro do Comitê da Rede Global de Empreendedorismo, atuando como uma das líderes locais em Sorocaba. Autora de dois livros pela Câmara Brasileira do Jovem Escritor, poetisa e aventureira nas horas vagas.